O Homem de Giz - Review

06-08-2020

"Ninguém é inocente, porque todos somos culpados de alguma coisa"


Bem, hoje trago-vos a review de uma das minhas mais recentes leituras "O Homem de Giz" é o romance de estreia de C. J. Tudor e dá-nos a conhecer a história de um grupo de amigos através de um deles, Eddie, o rapaz que menos se encaixa e que acaba como um homem solitário e de vícios.

A autora levou (mesmo) a sério o "Questionar sempre e nunca supor" e "Ninguém é inocente pois todos são culpados de alguma coisa". Basicamente acabamos por ficar sempre à espera de que algo mau aconteça, alguma revelação chocante, algum plot-twist impossível de prever.

E isso não seria mau, de todo, se tivesse sido bem doseado na história. Tornou-se extremamente tedioso, para mim, aguardar por acontecimentos chocantes a cada capítulo, para no fim ficarmos apenas com uma dica aqui e ali do que poderia ou não acontecer, nada propriamente chocante portanto (e existem algumas insinuações que nem sequer fazem muito sentido, como o toque quase sobrenatural na história, que no fim acabamos por perceber que... enfim).

E agora pontos mais positivos porque também os há, a história desenvolvida entre passado e futuro conquistou-me, foi uma ótima maneira de narrar os acontecimentos. Também adorei os personagens, eles acabam por se desenvolver e evoluir à medida que envelhecem, mas nunca perdem a sua essência e a grande maioria (para não dizer todos) não têm as feridas do passado curadas, penso que isso os faz parecer mais reais. A falta de inocência de absolutamente todos no livro também me agradou, não vou negar, quase conseguimos passar o livro inteiro a achar que todos são culpados. E no fim isso acaba por se mostrar uma meia-verdade, porque realmente todos são "culpados por alguma coisa" e bye bye inocência.

De resto, é um thriller sombrio e de leitura rápida, que apesar disso não me conseguiu propriamente prender. Não foi um daqueles livros a que temos de ficar agarrados a noite inteira até terminar porque PRECISAMOS de saber o fim. Tipo um "é bom, mas nem tanto". Além disso as semelhanças entre as histórias/escrita de Stephen King são mais do que óbvias e impossíveis de ignorar (a menos que nunca se tenha lido um livro do autor), facto compreensível para uma estreia, ainda por cima levando em conta que o King foi uma das principais inspirações da autora.

O capítulo final é outra desilusão, há explicações lógicas para (quase) todas as questões, mas não são questões que vão explodir com alguma mente, são apenas lógicas e isso pode deixar o final com um sabor um bocadinho decepcionante.

Este livro conquistou assim um 06/10 com algum esforço, ainda assim continuo a querer ler o "Levaram Annie Thorne" porque estou mesmo confiante que será (pelo menos um nadinha) melhor. E é isto <3, fiquem em casa e lavem as mãos pessoinhas! 

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